
O número de contas vencidas e não pagas pelos francanos no mês passado cresceu. Segundo o levantamento da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), 5.334 títulos não foram quitados. O número é 16,9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 4.563 contas ficaram em aberto. O estudo tem por base os registros do Sistema de Proteção ao Crédito. Esse foi o segundo maior aumento do ano.
Além do balanço mensal, a Acif divulgou os dados do primeiro semestre, que também apontam o aumento na inadimplência. Desta vez, de 4,21%, mesmo índice nacional.
Para o consultor de economia da Acif, Antônio Vicente Golfeto, a culpa pelo aumento das contas atrasadas é a oferta de crédito facilitado que continua grande. “Apesar do aumento nos juros, as facilidades de financiamento de compras para o consumidor ainda são grandes. O governo precisa adotar mais medidas para evitar o superaquecimento da economia.”
Com os parcelamentos oferecidos pelo mercado, é comum o consumidor fazer a compra sem pensar no seu orçamento. Então, quando os boletos e faturas de cartões de crédito começam a chegar, ele percebe que não terá dinheiro para arcar com tantos gastos e fica inadimplente.
SMS, 63 anos, recepcionista, sabe bem o que é isso. Com um salário de R$ 880, ela resolveu renovar parte de suas roupas de inverno e gastou R$ 300, divididos em quatro vezes, mas não conseguiu arcar nem com a primeira parcela. “Achei que conseguiria encaixar mais este gasto no meu orçamento. Mas não deu. Agora vou ter de economizar para ver se consigo pagar neste mês.”
Para o economista, a inadimplência no setor comercial pode ameaçar outras áreas da economia. “Ela acaba contagiando segmentos saudáveis, que, não recebendo seus créditos, deixam de pagar seus débitos. A cadeia da impontualidade nos pagamentos se institucionaliza.”
MAIS QUEDA
Ao mesmo tempo em que aumentaram as inclusões de nomes no SCPC, as exclusões (quando o consumidor paga a sua dívida) diminuíram.
De acordo com a Acif, foram 24.149 exclusões no primeiro semestre deste ano, ante 25.694 no mesmo período de 2010. “Estes números mostram que as pessoas que possuem dívidas estão com dificuldades de honrá-las. Em parte, isso também pode ser explicado pela excessiva oferta de crédito. O indivíduo toma dinheiro emprestado para pagar uma dívida antiga e já atrasada e depois não consegue pagar o empréstimo feito. Essa situação é muito comum”, disse Vicente Golfeto.

Notícia retirada do site: Comércio da Franca