Um partido diferente, uma opção consciente

Spaniol reclama e descarta investimentos em Franca

2009-08-09 15:05

 Mário Spaniol, proprietário da Carmen Steffens e do curtume Couroquímica, ameaça brecar a expansão em Franca. O empresário pretende abrir uma filial da fábrica em novembro e gerar de mil a 1200 postos de trabalho nos próximos cinco anos. Os investimentos devem chegar a R$ 8 milhões durante este período. Inicialmente a produção seria de 700 pares/dia. No lugar de abrir a fábrica em Franca, onde está a matriz da Carmen Steffens, Spaniol disse que se instalará no Rio Grande do Sul. 


Três cidades na região do Vale dos Sinos estão cotadas para sediar a nova fábrica de calçados femininos. Spaniol não revela quais são, apenas que no próximo dia 17, três funcionários seus estarão naquele Estado para detalhar as vantagens oferecidas por cada município. “Começaram a me incomodar em Franca e decidi ver o que existe aí fora. O Rio Grande do Sul me fez um assédio tão grande que estou apaixonado pelo projeto. Ofereceram mão-de-obra formada, prédio a custo zero, isenção de IPTU. Também não terei de enfrentar o sindicato jogando pedra todo dia, nem o Paulo Afonso (presidente do Sindicato dos Sapateiros) me torrando a paciência”.

Não é a primeira vez que o empresário ameaça deixar Franca. Há três anos, após tentar implantar um banco de horas na sua indústria e enfrentar conflitos com o Sindicato dos Sapateiros, disse que transferiria a Carmen Steffens para outro pólo. Desta vez, o discurso é um pouco diferente. A estrutura montada em Franca permanecerá sem alterações, mas quando o assunto é expansão, a cidade está fora da lista. “Adotei Franca para viver. Aqui é minha casa. Vamos manter tudo aqui, mas vamos crescer fora”. Hoje, a empresa da cidade tem 1300 funcionários e produz 3200 pares de calçados e 800 bolsas por dia.

Em março deste ano, o empresário chegou a firmar acordo com os funcionários contra a vontade do sindicato e implantou a redução da jornada devido à queda de produção ocasionada pela crise. A relação entre Spaniol e Paulo Afonso, presidente do Sindicato dos Sapateiros, ficou ainda mais estremecida após a Point Shoes, empresa ligada à Carmen Steffens, ser processada por racismo no ano passado.

Coincidentemente, o anúncio do empresário de não expandir seus negócios em território francano ocorreu dois dias depois do Sindicato agendar para hoje uma manifestação sobre o processo citado na porta da empresa (leia ao lado). “Acho que Paulo Afonso nasceu no lugar errado. A visão dele é pior que a do Getúlio Vargas. Há 60 anos o cara enxergava melhor que ele”.

Paulo Afonso disse que não tem nada contra a empresa, nem contra o empresário. “Não existe nenhuma cruzada do Sindicato dos Sapateiros contra a Carmen Steffens e contra o senhor Mário Spaniol. Nem tenho relação pessoal com ele. Nem de amor, nem de amizade, nem de ódio”. Para o sindicalista, a ameaça de deixar de investir em Franca é uma medida estritamente econômica. “Qualquer empresário fabrica sapato para ter lucro, não simplesmente para dar emprego aqui ou em qualquer outro lugar do País. Para enriquecer, vão para onde terão mais lucro”.

Já o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Franca), José Carlos Brigagão, lamentou a decisão de Spaniol. “A Carmen Steffens é uma marca internacional, uma grande empresa e fará falta em Franca. O Sindifranca continua à disposição dela, mas é uma decisão pessoal e não podemos interferir”. Segundo ele, existe uma abertura às indústrias calçadistas para implantação de banco de horas. “O acordo firmado com o sindicato dos trabalhadores dá direito para empresas protocolarem a implantação de seu banco de horas, desde que atende as legalidades. O Sindifranca está à disposição do Mário e dos demais empresários para isso”.

Notícia retirada do site: http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=46266&materia=Spaniol reclama e descarta investimentos em Franca

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